A ‘punição justa’ do vilão: o sentido espiritual da tortura de François Villon

Daniel Padilha Pacheco da Costa

Abstract


Resumo: 

Neste artigo, trata-se da narração da tortura de François Villon no exórdio do Testament não como um evento traumático na biografia do poeta, mas como o episódio fundador da enunciação poética dessa obra. Climax das provas sofridas pela personagem do célebre malfeitor, a sua tortura na prisão de Meung pelo bispo Thibaut d’Ossigny é apresentada como a causa da sua morte iminente. Mas a sua subsequente libertação pelo rei Luís XI, alegoricamente interpretada como um sinal da graça divina, desencadeia uma reviravolta na vida interior da personagem. Assim, o seu martírio é retrospectivamente reelaborado como uma punição justa pelos erros cometidos na sua juventude, em particular o roubo ao Colégio de Navarra. Nesse sentido, o Testament não está fraturado em uma parte composta antes e outra depois do colapso físico do poeta na prisão de Meung, mas é unificado pelo seu lugar de enunciação que, dramatizando a angústia da personagem do vilão arrependido diante da morte, ilustra a doutrina cristã do perdão.

 

Abstract:

In this paper, we discuss the narration of the torture of François Villon in the Testament’s exordium not as a traumatic event in the poet’s biography, but as a founding episode of this work’s poetic enunciation. Climax of the tests undergone by the character of the famous wrongdoer, his torture in Meung’s prison by the Bishop Thibaut d’Ossigny is presented as the cause of his imminent death. But his subsequent release by the King Louis XI, allegorically interpreted as a signal of the divine grace, triggers a turnaround in the character’s inner life. Thus, his martyrdom is retrospectively reviewed as a fair punishment for the wrongs commited in his former life, especially the robbery of the Collège de Navarre. Therefore, the Testament is not divided in two parts composed before and after the physical collapse of the poet in Meung’s prison, but is unified by the enunciation’s point of view which, performing the fright of the repentant villain’s character before death, illustrates the Christian doctrine of forgiveness


Parole chiave


François Villon; Testament; Tortura; Punição justa; Personagem do vilão; Testament; Torture; Just punishment; The villain’s character

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